Hoje não é um dia para comemorar
Infelizmente temos de ter um dia para reflexão sobre abusos cometidos à mulher. O dia 25 de novembro foi escolhido para lembrar assassinato violento, truculento e trágico das irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa Maribal em 1960, pelo ditador Rafael Trujilo, na República Dominicana.
Em 1999 a ONU reconheceu oficialmente o 25 de Novembro como o Dia Internacional da Não-Violência Contra as Mulheres.
Pesquisa encomendada ao Ibope pelo Instituto Patrícia Galvão apontou que a preocupação com a violência doméstica tem crescido consideravelmente.
Veja alguns dados:
De 2004 a 2006 aumentou o nível de preocupação com a violência doméstica em todas as regiões do país, menos no Norte / Centro-Oeste, que já tem o patamar mais alto (62%). Nas regiões Sudeste e Sul o nível de preocupação cresceu, respectivamente, 7 e 6 pontos percentuais. Na periferia das grandes cidades esta preocupação passou de 43%, em 2004, para 56%, em 2006.
• 33% apontam a violência contra as mulheres dentro e fora de casa como o problema que mais preocupa a brasileira na atualidade.
• 51% dos entrevistados declaram conhecer ao menos uma mulher que é ou foi agredida por seu companheiro.
• Em cada quatro entrevistados, três consideram que as penas aplicadas nos casos de violência contra a mulher são irrelevantes e que a justiça trata este drama vivido pelas mulheres como um assunto pouco importante.
• 54% dos entrevistados acham que os serviços de atendimento a casos de violência contra as mulheres não funcionam.
Como feminista e vítima de violência ainda pauto a Lei Maria da Penha como ineficaz na assistência a mulheres que sofrem com esse tipo de atitude. Conforme A.P., 22 anos, há uma série de enganos no tratamento e na assistência a mulher “Cheguei na delegacia pra prestar depoimento e fui coagida pela policial a abrir um processo contra o meu ex-marido, naquele momento eu não sabia nem o que faria de mim, da minha filha ainda tão pequena. Com aquela atitude eu fiquei ainda mais perdida, acabei voltando pra casa e passando aquele horror novamente. Deveria haver um acompanhamento psicológico no momento em que a gente faz a denúncia, me senti desamparada”, relata com a voz já embaraçada pelas lágrimas.
Como agredida, eu sei o quão complicado é chegar até a bancada e pedir informações. Além de estar ferida, você ainda é humilhada psicologicamente, é despida por perguntas preconceituosas não recebendo nenhum tipo de tratamento diferenciado.
Segundo Cynthia Maria Pinto da Luz, advogada do Centro de Direitos Humanos em joinville, não há dados exatos sobre mulheres vítimas de violência “Se hoje você quiser procurar esses dados vai ter que ver B.O por B.O, não há um sistema integrado, nem informações específicas nesse sentido”, conta.
Além disso, a lei ainda não prevê casos de união homossexual, onde uma companheira é agredida por outra mulher, dificultando assim o atendimento, a assistência e a penalização da agressora.
Mas há boas notícias:
Criada em 12 de novembro de 1995, a Casa Viva Rosa é um centro de proteção a mulher vítima de violência. Pensada em apoio com o conselho da mulher e o Centro dosa Direitos Humanos Maria da Graça Braz, a casa visa assistir, atender psicologicamente e socialmente mulheres em condição de violência. mais informações no telefone 3025 4774.